sábado, 17 de maio de 2014

Bazar de livros

Domingo de manhã, em parceria com o Conselho Regional de Psicologia, organizando mais um bazar de livros. Convido a todos para irem. O primeiro livro você pode levar inteiramente de graça, doação, e o segundo é à base de troca.
Hoje chove sem parar, mas amanhã conto com a colaboração de São Pedro.

segunda-feira, 3 de março de 2014

Lendo no carnaval

Terminando de ler "Detalhes de um pôr do sol", livro de contos de Vladimir Nabokov. Escritos cerca de 1925, por um jovem escritor, recém exilado em Berlim, sofrendo da saudade de sua San Petersburgo, antes de vir a se tornar o grande escritor que se tornou. É uma prova do que já li em vários lugares: não é todo escritor que consegue ser contista, mesmo um escritor formidável de romances, como é o caso. 
Eu não indicaria a alguém ler "Detalhes do pôr do sol" para encontrar nele a grandeza da escrita de Nabokov. Melhor ler Lolita.
Em Lolita escreveu uma frase magnífica sobre o que é o encontro e não apenas um encontro: "Foi amor à primeira vista, à última vista, para todo o sempre". 
Leiam Lolita!

domingo, 15 de dezembro de 2013

Hoje morreu Peter O'Toole


Porque te amava, enfeixei vagas de homens nas minhas mãos
e em estrelas escrevi nos céus o meu desígnio
de te conquistar a liberdade, palácio de sete pilares
onde teus olhos brilhariam
talvez por mim quando voltássemos

A morte parecia seguir-me como escrava,
até que me aproximei - e te vi esperando.
Sorriste-me e ela correu avante ciosamente aflita
e assim te arrebatou para a sua quietude.

O amor exausto apalpou tímido o teu corpo
breve prêmio nosso, nosso por um momento.
Antes que a branda mão da terra explorasse
tuas formas e noturnos vermes engordassem devorando tua substância

Pediram-me que a nossa obra, casa inviolada, eu a erguesse em memória de ti.
Mas, para melhor exaltar, espedacei-a inacabada e agora lembranças furtivas
se conjugam e serpenteando se inflitram
nas ruínas, nas sombras do dom que me deste.

Thomas Edward Lawrence.

Este poema, que compôe 7 Pilares da Sabedoria, eu recitava de cor na minha adolescência. Depois de assistir Lawrence da Arábia, quis saber quem era esse britânico que lutou ao lado dos árabes, pela causa deles, que também virou sua. Imaginava que era por amor a S.A. Imaginava que fosse uma mulher. Parece-me, descobri depois, que não era. Hoje não importa o sexo de S.A., homem ou mulher, por ele Lawrence mudou sua causa, sua vida, seu destino.
E além disso, temos que lembrar que o amor não tem sexo.
Lembro isso hoje porque morreu Peter O'Toole, que magistralmente interpretrou Thomas Edward Lawrence no cinema.

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Coleccionista lleno de agujeros

"....A veces me siento jodidamente mal: cuántas cosas he dejado escapar, coleccionista lleno de agujeros, cuánto he derrochado, olvidado, especialmente allí, en casa.  Sólo restan conmigo (em mí?) una especie de patio y pasillos oscuros, buhardillas húmedas, dientes de léon pisoteados, zanjas por llenar, postes pintados de blanco.... Sólo aquí, en otros países, empecé a labrarme todo mi ser, todo lo que soy. Me hundí en abismos salvajes del ánimo, incluso no llegue a alcanzarlos y me dio miedo, tal como me habia pasado en casa, de perderlo casi todo. Al fin y al cabo, así incluso se puede vivir con mayor tranquilidad. Considerar todo lo perdido como superfluo. Todo lo no perdido (una parte minuscula) como indispensable. O sea, ineludible..."
É assim que o poeta ucraniano Stanislav Perfetski vai descrevendo sua vida durante uma viagem de carro entre Munique e Veneza. Passou em Munique a quarta-feira de cinzas e nos mostra nela o primeiro dia melancólico da quaresma. Pega carona com um casal que vai a Veneza e vai escrevendo sobre sua vida de "pleno colecionador de buracos". Seu relato começa dia três de março e já sabemos de antemão, pois nos é contado por um narrador, que no dia dez de março, dia de seu aniversário, se jogará de uma janela de hotel em Veneza, desaparecendo em um de seus canais. Sobre a escrivaninha, estará esse relato que é o romance.
O narrador que, em um preâmbulo abre a estória, antes de começar o relato de Perfetski, é o próprio autor do livro, Yuri Andrujovich, ucraniano e nova voz na literatura do leste. Genial o jeito que ele começa seu romance: colocando um narrador, que é ele mesmo, como um outro, a contar a vida do poeta ucraniano desaparecido em um dos canais de Veneza. Estou quase na metade do livro intitulado Perverzión. Publicado em Barcelona pela Editora Acantilado. E que talvez chegue no Brasil no dia de são nunca.