Esta é uma foto que tirei duas horas atrás, da árvore que não morreu. De frente para a Lagoa do Itatiaia, ela teve seu tronco queimado por uns rapazes, na madrugada, final do ano passado. Os morados de frente para ela, chamaram o poder público, que teve a capacidade de fazer nada. Eles mesmos apagaram as chamas do tronco. A árvore continuou lá, com seu tronco aberto, queimado pela metade, preto, parecendo carvão. Eu achei que ela iria aos poucos fraquejar, morrer e cair. Dei até entrevista para a televisão falando isso: ninguém fez nada para salvá-la, nenhum remédio, nenhum encosto, reforço. Sei lá quais são os remédios da biologia. Pois veio a primavera e ela está assim, o tronco machucado continua lá. E a beleza dela desabrochou com esta primavera.
Estou escrevendo tudo isso porque ontem à noite escutei no jornal da história da moça que perdeu o pé andando de moto. Ainda bem que não entrei no midiamax e no campograndenews hoje, pois fiquei sabendo que colocaram a foto do pé perdido da moça, que foi encontrado por um homem, horas depois. Isso é coisa para se mostrar?????
O que uma coisa tem a ver com a outra? Sinto pelo acidente da jovem, mas prefiro ver a árvore.
Para esse finalzinho de domingo, de vento fresco, um espetáculo de roxo de uma árvore que sobrevive.
Depois de andar por ruas, cidades, países, em que faz falta escutar música, a saudade da música brasileira se agiganta, a saudade desse enviscamento, disso que faz com que para nós, a música esteja à flor da pele. Para cada momento, uma música, para cada sentimento, uma música. Mas a música sempre.
Há pouco bateu-me uma saudade que só essa música explica.
Um barco solto, sem rumo, sem vela....
Um barco solto, sem rumo, sem vela....


