Terminando de ler, O filho de Mil homens, de Walter Hugo Mãe. Que livro lindo! Livro que ganhei de presente de Elynes Barros Lima, com dedicatória do autor e tudo. Esse foi um desses presentes que a gente nunca esquece. Ainda mais que não entendi a letra do autor e a dedicatória ficou enigmática. O livro é sobre os desencontros que as pessoas vão tendo na vida. E sobre a diferença entre os homens e a mulheres. O autor repete em três momentos da obra: "Os homens eram todos iguais. Somente as mulheres podiam aceder à diferença".
E outra lição que um personagem nos dá: ser o que se pode é a felicidade. Não adianta sonhar com o que é apenas fantasia, com o que é impossível. "A felicidade é a aceitação do que se é e se pode ser". Mas esta é uma lição masculina.
A felicidade para a personagem feminina, Isaura, "a mulher carregada de silêncios e ausências" era o amor. E ela responde assim a essa espera do amor, que não chega, não chega: "Porque o amor era espera e ela, sem mais nada, apenas esperava. A isaura sabia que amava alguém por vir, amava uma abstração de alguém no futuro. Ela esperava o futuro, e esperar era já um modo de amar. Esperar era amar. Certamente, amava de um modo impossível o futuro. Disse: eu pensava que o amor era bom".
Nem tenho mais palavras que as do próprio autor para dizer o tanto que o livro é lindo.
Um espaço para comentar sobre literatura, viagens, filmes, artes e todas essas "coisas inúteis" que tornam a vida possível, prazerosa, humana.
quinta-feira, 22 de novembro de 2012
terça-feira, 20 de novembro de 2012
terça-feira, 13 de novembro de 2012
Skyfall
Venho aqui pagar a boca: tinha avacalhado com Daniel Craig como 007. Os dois primeiros filmes dele no papel do sempre charmoso agente secreto, para mim, tinham sido um fracasso total. Ele tinha virado um troglodita insensivel, lutador do UFC, sem inteligência nenhuma, que nem gostava de mulher. Enfim, um horror de roteiro e de atuação de Daniel Craig.
Neste sábado assisti Skyfall e adorei. Neste filme é o mesmo 007 de sempre: inteligente, estrategista, muito mais do que atirar, prova a todos que não está passado do ponto. E além disso tem a atuação de Raph Fiennes, ator que adoro, e sobretudo de Javier Bardem. Bardem está um vilão memorável. Há uma cena excelente em que Bardem/Ramirez, espião que pretende matar M., tenta seduzir Bond para ficar do lado dele. Bond amarrado, feito prisioneiro e o outro, sedutor, mostrando que deseja homens, passa a mão pela perna de Bond e lhe diz "para tudo tem uma primeira vez". E Bond, responde também bem sedutor: "e quem disse que é a primeira vez?" Antes de desarmar todo mundo, é claro. E ficamos sem saber se, de fato, ele já tinha se deitado com um homem antes.....
Roteiro excelente.
Neste sábado assisti Skyfall e adorei. Neste filme é o mesmo 007 de sempre: inteligente, estrategista, muito mais do que atirar, prova a todos que não está passado do ponto. E além disso tem a atuação de Raph Fiennes, ator que adoro, e sobretudo de Javier Bardem. Bardem está um vilão memorável. Há uma cena excelente em que Bardem/Ramirez, espião que pretende matar M., tenta seduzir Bond para ficar do lado dele. Bond amarrado, feito prisioneiro e o outro, sedutor, mostrando que deseja homens, passa a mão pela perna de Bond e lhe diz "para tudo tem uma primeira vez". E Bond, responde também bem sedutor: "e quem disse que é a primeira vez?" Antes de desarmar todo mundo, é claro. E ficamos sem saber se, de fato, ele já tinha se deitado com um homem antes.....
Roteiro excelente.
quinta-feira, 25 de outubro de 2012
A herança de um pai
Acabei de ler Ernestina, de J. Rentes de Carvalho. É um volume de memórias do autor, memórias ficcionadas, lembra seu editor. É também uma história sobre o Norte de Portugual entre 1930 e 1950. Sobre a vida rural difícil dos camponeses, a história de um exôdo, pois eles começam a almejar viver nas cidades. A história de Vila Nova de Gaia, pequena cidade perto de Porto está bem retratada no livro. É nela que Ernestina, a mãe do escritor, vai viver na casa de seus tios, pois vive uma guerra devastadora com a mãe e seu pai decide que assim, duas mulheres guerreando dentro de casa não se vive. E ela abandona o campo, passa a viver com os tios, na cidade. Os tios têm dois filhos, um deles morre e o outro vive de bebidas, mulheres e farras. É com esse que, posteriormente, eles casam Ernestina. E assim, casam o filho com a sobrinha, que criavam como filha.
Casamento feito para "consertar" um homem, tirá-lo da farra, das tavernas e que, claro, não dá certo. O autor/narrador nasce desse desencontro, dessa expectativa frustada, desse arranjo sem amor, sem esperanças, sem desejo. Desde cedo percebe o desencontro, as brigas, as saídas do pai para os bares, a volta embriagado, as agressões físicas.
E para se refugiar desse mal-estar, ele vai olhar para outros lugares. Descobre o prazer de olhar tudo à distância, de um binóculo: "perdia horas a espiar a cidade com o binóculo, admirado das mudanças que a guerra causava". Paralelo ao desencontro dos pais, vivia uma infância de muitas experiências, descobertas, pesquisas. Tem um saudosismo da infância: "A vida nunca mais voltaria a ter semelhante caleidoscópio de surpresas e mistérios, de romantismo, de irrealidade. Em tudo, por toda a parte, era como se constantemente se abrissem portas que ora revelavam ameaças ou deixavam entrever esperanças".
Ainda garoto sentia-se inapto com as meninas, era baixinho, tomava xaropes para crescer e não adiantava. Sentia que os outros garotos tinham fama com as garotas da escola. Com cerca de 10 anos, no exame médico da escola, o médico diagnostica que ele tem uma corcunda que o fará sofrer na vida adulta. Os pais se preocupam e levam em outro médico. Esse descarta a corcunda, mas descobre nele um problema que não quer falar na sua frente. Pede que saia e conta aos pais. Começou a tomar injeções bem doloridas para isso que ele descobriu, logo em seguida, a causa: sífilis congênita. E percebeu que depois desse diagnóstico, "a zaragata começou na cozinha".
Ele sabia que sífilis vinha de coisas que ele ainda não tinha feito, mas não entendia o congênito. "e a procurar o sentido no dicionário compreendi que, como outros bens e males, a mazela me viera por herança. Com dores nas costas pagaria eu os gozos de meu pai, de meus avós e dos avós deles, que de geração em geração tinham passado o mal-turco uns aos outros".
E assim, usará essa herança a seu favor: putanheiro, como o pai. Quando os colegas da escola perguntam porque toma injeções tão dolorosas, responde que é para "uma galiqueira que me pegara uma puta do café Royal".
Livro lindo, com um final lindo. Termina depois da primeira experiência sexual com uma garota criada por tios e que tinha o nome de Ernestina. Será que realmente a garota tinha esse nome e era realmente mais uma Ernestina "adotada" por tios? Ou é um Complexo de Édipo ficcioso criado pelo autor? Pouco importa. É um final lindo: de uma Ernestina até a outra.
E o portugues de portugal, que coisa linda! Zaragata é confusão, desordem. Galiqueira é outro nome para a doença sifilítica.
Casamento feito para "consertar" um homem, tirá-lo da farra, das tavernas e que, claro, não dá certo. O autor/narrador nasce desse desencontro, dessa expectativa frustada, desse arranjo sem amor, sem esperanças, sem desejo. Desde cedo percebe o desencontro, as brigas, as saídas do pai para os bares, a volta embriagado, as agressões físicas.
E para se refugiar desse mal-estar, ele vai olhar para outros lugares. Descobre o prazer de olhar tudo à distância, de um binóculo: "perdia horas a espiar a cidade com o binóculo, admirado das mudanças que a guerra causava". Paralelo ao desencontro dos pais, vivia uma infância de muitas experiências, descobertas, pesquisas. Tem um saudosismo da infância: "A vida nunca mais voltaria a ter semelhante caleidoscópio de surpresas e mistérios, de romantismo, de irrealidade. Em tudo, por toda a parte, era como se constantemente se abrissem portas que ora revelavam ameaças ou deixavam entrever esperanças".
Ainda garoto sentia-se inapto com as meninas, era baixinho, tomava xaropes para crescer e não adiantava. Sentia que os outros garotos tinham fama com as garotas da escola. Com cerca de 10 anos, no exame médico da escola, o médico diagnostica que ele tem uma corcunda que o fará sofrer na vida adulta. Os pais se preocupam e levam em outro médico. Esse descarta a corcunda, mas descobre nele um problema que não quer falar na sua frente. Pede que saia e conta aos pais. Começou a tomar injeções bem doloridas para isso que ele descobriu, logo em seguida, a causa: sífilis congênita. E percebeu que depois desse diagnóstico, "a zaragata começou na cozinha".
Ele sabia que sífilis vinha de coisas que ele ainda não tinha feito, mas não entendia o congênito. "e a procurar o sentido no dicionário compreendi que, como outros bens e males, a mazela me viera por herança. Com dores nas costas pagaria eu os gozos de meu pai, de meus avós e dos avós deles, que de geração em geração tinham passado o mal-turco uns aos outros".
E assim, usará essa herança a seu favor: putanheiro, como o pai. Quando os colegas da escola perguntam porque toma injeções tão dolorosas, responde que é para "uma galiqueira que me pegara uma puta do café Royal".
Livro lindo, com um final lindo. Termina depois da primeira experiência sexual com uma garota criada por tios e que tinha o nome de Ernestina. Será que realmente a garota tinha esse nome e era realmente mais uma Ernestina "adotada" por tios? Ou é um Complexo de Édipo ficcioso criado pelo autor? Pouco importa. É um final lindo: de uma Ernestina até a outra.
E o portugues de portugal, que coisa linda! Zaragata é confusão, desordem. Galiqueira é outro nome para a doença sifilítica.
domingo, 14 de outubro de 2012
Diário argentino II
Terminei na quinta-feira de ler o "Diário argentino", de Gombrowicz. Livro triste, de um homem deslocado e triste, que não se sente feliz em nenhum lugar. O livro termina quando ele volta para a Europa, depois de 24 anos de exílio argentino. Mas, vendo as costas de Barcelona também não fica feliz. A Europa também não é seu lugar. E relembra que está indo para Paris. Esteve lá trinta e cinco anos antes e também sentiu-se estrangeiro.
Fiquei pensando sobre isso: é preciso na vida saber viver como um estrangeiro, um estranho em um lugar. Seja ele onde for. Saber perder-se e encontrar-se. Não importa onde.
Fiquei pensando sobre isso: é preciso na vida saber viver como um estrangeiro, um estranho em um lugar. Seja ele onde for. Saber perder-se e encontrar-se. Não importa onde.
segunda-feira, 8 de outubro de 2012
Mudou
Uma bobagem, uma tolice. Por que disse isso? Uma frase torta, falada na hora errada. Um instante de nervoso, um tropeço daqui, outro de lá. E depois, a vergonha. A inadequação. A impressão de que se foi mais tolo do que nunca. É isso o desejo: nos atropela, nos interpela, nos interpreta. Tolos, sempre tolos. Divididos, perdidos. Deslocados. Tem alguns que são mais privilegiados para explicar isso: os poetas.
Estamos perdidos, sem localização geográfica, mas não sem poesia. Eis Taiguara:
"Mudou o tempo e o que eu sonhei para nós. Mudou a vida, o vento, a minha voz."
Estamos perdidos, sem localização geográfica, mas não sem poesia. Eis Taiguara:
"Mudou o tempo e o que eu sonhei para nós. Mudou a vida, o vento, a minha voz."
quinta-feira, 4 de outubro de 2012
Madrugei hoje
Madruguei. Vendo notícias. Uma animada entre tantas de morte, acidente, roubo, corrupção, mensalão: Liam Neeson tira a roupa no programa de Ellen Degeneres. E aquele homem gigante, de mais de 1.90m de altura fica só de cuecinha rosa pink, em apoio à campanha do cancêr de mama. E eu sou fã dele, um dos grandes atores do momento e ainda de cueca rosa pink? Maravilha. Quinta começou bem.
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